Faz sentido óleo essencial ter grau terapêutico?

Faz sentido óleo essencial ter grau terapêutico?

Em 2015, na primeira edição do Conaroma, falei sobre Adulteração de Óleos Essenciais. Com base numa palestra dada por Robert Pappas, químico e fundador da Essential Oil University, expliquei por quase 2 horas os diferentes métodos de adulteração de óleos essenciais e também as formas de se detectarem estas adulterações, desde testes organolépticos, até coisa mais sofisticada como Carbono 14.

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No ano passado, novamente pelo Conaroma, falei a respeito dos Mitos e Verdades da Aromaterapia e a questão de óleos essenciais adulterados voltou à baila, mas sob nova perspectiva: se é que faz sentido a nomenclatura “óleos essenciais com grau terapêutico” usada pela empresa doTerra como uma de suas marcas registradas.

Esta empresa, uma empresa gigante por sinal – e que eu admiro por seu trabalho junto às comunidades locais que produzem e destilam os óleos de plantas comercializados por ela -, insiste que seus OEs são terapêuticos e, por isso, melhores que os OEs vendidos por outras empresas.

Na brochura do site, eles ainda apontam o próprio Robert Pappas como o responsável por atestar a qualidade de seus OEs, já que vêm do laboratório dele as análises que atestam o grau de pureza. Certamente Pappas é um dos caras mais respeitados no mundo e sua biblioteca de OEs é talvez uma das maiores. Mas atestar o grau de pureza de um OE não é o mesmo que atestar o grau do que eu estou chamando de “terapeuticidade”: o quanto um OE é capaz de cuidar da saúde em comparação a outro destilado da mesma planta.

Ontem gravei um vídeo para explicar o que vem a ser grau terapêutico – mas já adianto que minha opinião é que “grau terapêutico” é uma banalidade: ou todos os OEs têm – mesmo quando adulterados isso não impediria a priori que fossem terapêuticos, ainda que provocassem (mais) efeitos colaterais como, de resto, qualquer medicamente sintético – , ou só faria sentido falar em níveis de terapeuticidade que, de tão variados que seriam, nos levariam de volta à inutilidade de se estabelecê-los. (Discorro sobre isso em profundidade na palestra Mitos e Verdades, que colocarei no ar em setembro deste ano. Até lá, você poderá ler uma nota do próprio Pappas sobre “a verdade do grau terapêutico”; ou seja, o próprio cara que é citado como aval da “terapeuticidade” dos OEs por parte da doTerra diz que isso é uma coisa inútil.)

O assunto rende muito pano pra manga e não é possível esgotá-lo numa única postagem, num único vídeo, ainda mais considerando que já palestrei por mais de 2 horas sobre os tópicos pertinentes a este assunto. Mas gravarei um segundo vídeo para esclarecer o que vem a ser “terapeuticidade”, outro conceito muito mal compreendido pelos praticantes de aromaterapia.

Até lá, assista ao vídeo, compartilhe-o, marque seus colegas nele e vamos elevar o nível de compreensão sobre aromaterapia no Brasil, mostrando que somos um mercado de consumidores informados e maduros.

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